Enfim, um escritor sem estilo

Autor kobashi :: 30 novembro 2003 - 2:00am tag
É este o slogan de seu ‘saite’, como ele prefere. Já foi Milton e virou Millôr por obra do sujeito que lavrou sua certidão de nascimento. Millôr Fernandes faz 80 anos o ano que vem e usa a Internet como poucos. Ou melhor, como muitos. O saite é uma zona. Você se perde o tempo todo. Começa vendo suas charges e de repente se vê em uma seção de ‘Perguntas cretinas’. Fica mais um pouco e já está em ‘Devora-me’. A página inicial, então, tem mais informação do que caberia em 10 páginas iniciais. E o design? E as animações? Esqueça. O saite é tipográfico. Dá a impressão que foi feito em uma máquina de escrever, manual, a bico de pena, com papel, tesoura e cola. Mas quer saber? É bom demais. Millôr usa a lógica nata da Internet. As informações vão se espalhando, com um pouco de regra e muito de caos. Aí você se perde, mas fica feliz porque no fundo, era isso que você queria. Aos meninos que andam fazendo a Internet de hoje, atenção: tem um sujeito da revista O Cruzeiro ensinando como fazer. Fique plugado: A revista O Cruzeiro (1928/75) ainda é um feito inigualável da imprensa brasileira. Pelas tiragens que atingiu, pela influência que exercia e pelas matérias ‘inventadas’ que a dupla David Nasser e Jean Manzon publicava sem a menor cerimônia. Para nosso deleite, uma versão on-line da revista está disponível 28 anos depois de sua última edição impressa. Cortesia do pessoal do Memória Viva.Vale a pena. Onde encontrar: www.millor.com.br www.memoriaviva.digi.com.br/ocruzeiro/