Spam e marketing digital

Autor kobashi :: 13 dezembro 2004 - 2:00am tag
Atenção programadores, engenheiros de sistema, empresários, publicitários, legisladores e demais ativistas da guerra contra o spam: parem de fazer o que quer que vocês achem que estão fazendo para combater o problema, pois não está funcionando. O spam continua correndo livre, leve e solto pela rede. E, ao que tudo indica, vai continuar assim por um bom tempo. Já vi todo tipo de proposta para resolver a questão: legais, educativas, tecnológicas, comportamentais. Todas inócuas, como nossas caixas postais comprovam diariamente. Spammers, assim como os hackers do mal, andam sempre um passo à frente. Há quem acredite em subir muros, colocar grades tecnológicas para proteger o e-mail dos malfeitores. Filtros anti-spam que identificam as “mensagens não solicitadas” e sistemas de confirmação do remetente oferecidos por diversos provedores estão nesta categoria. Mas estas soluções raramente passam no crivo de uma análise objetiva de custo x benefício. O spam veio pra ficar e é bom que a gente vá se acostumando com a idéia. Ele pode até mudar de cara e de nome, mas não vai desaparecer. Dê uma olhada no site do Grupo Brasil AntiSpam (www.brasilantispam.org) que você vai entender. Associações do porte da ABAP, ABA, ABEMD e ABES (associações das agências de propaganda, dos anunciantes, de marketing direto e das empresas de software, respectivamente), entre outras, se juntaram para criar um código de ética anti-spam que nada mais é do que um conjunto de regras para que as “mensagens não solicitadas” sejam convenientemente transformadas em “marketing digital”. As regras até que são interessantes, mas, no final das contas, não fizeram mais do que institucionalizar o spam. O e-mail é uma forma rápida e barata de se comunicar com os consumidores e as empresas não vão abrir mão desta mídia, sejam elas grandes, pequenas ou informais. Um bom paralelo pode ser feito com os outdoors e as faixas de rua. Apesar dos outdoors estarem quase sempre dentro da lei e as faixas quase nunca, ambos enfeiam a cidade (e como enfeiam!) e são “mensagens não solicitadas”. A diferença entre eles tem mais a ver com o poder de fogo de quem faz do que com o respeito à cidade ou ao cidadão. Spam e spam travestido de “marketing digital” vão conviver assim como os outdoors e as faixas de rua. Vamos continuar a receber mensagens que não solicitamos, de produtos que não queremos comprar e de empresas das quais não queremos ouvir falar. Infelizmente, é bem provável que em pouco tempo a gente se acostume com o spam assim como nos acostumamos com a publicidade a céu aberto. Se é que já não nos acostumamos. PS: a boa notícia é que entre os mais jovens, o correio eletrônico perde terreno para os programas de mensagens instantâneas. Quem sabe a próxima geração não aposenta o e-mail, e com ele o spam? Seria uma vingança e tanto. Pelo menos até a invenção da “mensagem instantânea não solicitada”.