O que um poster do Andy Warhol, um fogão de 6 bocas e um CD do Arrigo Barnabé tem em comum? Todos podem ser comprados pela Internet. E foram. Minha lista de aquisições pela rede é extensa e além dos ítens acima, só para dar alguns exemplos, contabiliza um monitor de 19 polegadas, uma geladeira, livros dos mais diversos e até um tira-manchas de resultado duvidoso. Bem duvidoso, pra falar a verdade. Mas calma. Não sou um consumidor compulsivo. A lista é grande porque compro pela Internet desde que a Internet vende alguma coisa. Comecei por curiosidade profissional em 1997. Tudo era muito lento, a gente ficava horas navegando até achar o produto que queria e, em muitos casos, a compra só era finalizada por telefone. Isso mesmo. Não era raro comprar em um site e em seguida receber uma ligação pedindo um fax do cartão de crédito e uma folha de autorização de débito assinada! Só rindo. De lá pra cá, o comércio eletrônico evoluiu muito. As redes varejistas entraram no jogo e colocaram a experiência e o poder de compra conseguido nas operações convencionais à serviço do varejo virtual. Além disso, empresas foram criadas para operar exclusivamente pela Internet e colocaram sua atenção e talento totalmente dedicados às particularidades da rede. Graças a união desses dois mundos, o comércio eletrônico à disposição dos internautas brasileiros é um dos mais desenvolvidos do mundo. Mas isso não significa a adesão do consumidor. Apesar da expectativa de crescimento este ano ser da ordem de 40%, as lojas virtuais brasileiras estão longe de ter a preferência dos internautas. Só para comparar: são 14 milhões os cadastrados em serviços de banco pela Internet e apenas 2,75 milhões que compram pela rede. É pouco. Comprar pela Internet é bom, muitas vezes mais barato (é muito mais fácil pesquisar preços), você não pega trânsito nem fila e a compra por impulso, da qual a gente sempre se arrepende, quase não existe. Mas se você nunca fez uma compra virtual antes, vá com calma. Prefira os sites nacionais, de empresas conhecidas ou com referências de amigos ou familiares e fique atento às especificações do produto comprado. Como você não ‘vê’ o produto de fato, apenas uma foto dele, características como cor, tamanho, peso e outras tantas, que são registradas automaticamente pelo nosso cérebro quando estamos frente a frente a um objeto, precisam ser lidas atentamente na página do site. Parece bobagem, mas não é. A ausência do vendedor também atrapalha. Estamos mais acostumados a pegar as informações de um produto, ou as condições de venda de uma loja, através de uma conversa que em um site. Na passagem do real para o virtual ganham-se coisas, perdem-se outras. O Natal está chegando. Se você estiver pensando em aproveitar para você fazer sua primeira compra virtual, vá devagar. Prefira começar com um produto de baixo valor, entenda como a coisa toda funciona e antes, visite o site do Procon (www.procon.sp.gov.br), dê uma olhada no Cadastro de Reclamações e nas dicas para comprar pela Internet. Mal não vai fazer.