Nem só de notícias e sexo vive a rede.
Autor kobashi :: 22 novembro 2004 - 2:00am tagTerça-feira passada, o Ministério da Educação (www.mec.gov.br) lançou a Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br), uma biblioteca virtual com um acervo de mais de 1 mil obras literárias, artísticas e científicas da cultura nacional e universal que já caíram em domínio público, como a obra de Machado de Assis, por exemplo, ou que tiveram sua publicação autorizada pelos detentores dos direitos autorais. Segundo um funcionário do ministério, a meta é ter 100 mil obras disponíveis gratuitamente na Internet até o final de 2005. O número é ambicioso, mesmo levando em conta que parte do acervo é construído através de parcerias com outras bibliotecas virtuais e que um edital já foi lançado para digitalizar e disponibilizar conteúdos para o site.
A idéia de uma biblioteca virtual é boa, muito boa, mas não é nova. O próprio ministério confessa o atraso da iniciativa. Só para citar um exemplo nacional, a BibVirt (www.bibvirt.futuro.usp.br), da Escola do Futuro da USP (www.futuro.usp.br) e parceira do projeto, faz isso desde 1997, já recebeu inúmeros prêmios e contabiliza mais de 15 mil acessos por dia. Por outro lado, não ser o primeiro, ou mesmo chegar atrasado, não tira o brilho da iniciativa nem o mérito da atual equipe ministerial. Vale o antes tarde do que nunca.
Mas (sempre tem um mas), digito www.dominiopublico.gov.br no meu navegador e descubro que o site está fora do ar. Ligo para Brasília e converso com Espartaco Madureira, Assessor de TI do Ministério da Educação, que me explica o problema: 30 mil acessos em 1 hora, ou seja, deu certo demais e o servidor não agüentou. Hummm...
Engana-se quem vê no episódio um problema técnico. Não foi um servidor que foi sub-dimensionado e sim o internauta brasileiro e sua sede de informação e cultura. Somos 35 milhões de conectados e crescemos mais rapidamente que os conteúdos em língua portuguesa. A Internet no Brasil é farta em notícias, blogs e sexo, mas a produção intelectual ainda prefere o papel. As universidades brasileiras participam da rede de forma tímida e exceções como a BibVirt da USP confirmam a regra.
Acabamos de descobrir que muitos de nossos internautas querem, entre uma notícia e outra, ler Machado de Assis. É uma boa hora para as universidades, artistas e intelectuais refletirem sobre o que têm feito com a rede e se estão contribuindo a contento para a construção da sociedade da informação.
Em tempo: minutos antes de fechar a coluna e 3 dias após o seu lançamento, a biblioteca virtual Domínio Público entrou no ar. Ainda está meio instável, mas já deu pra ver que é boa. Vá e divirta-se.
