Previsões para 2005

Autor kobashi :: 27 dezembro 2004 - 2:00am tag
Minha previsão para 2005 e para os próximos 10 anos: a Internet não vai mudar o mundo. E se mudar, será para permanecer igual. Desapontado? Junte-se ao grupo. Quando a Internet surgiu todo tipo de promessa foi feita. Algumas se realizaram, outras nem tanto. Nada mais natural. O problema é que se olharmos de perto, vamos ver que há alguma coisa em comum entre as que já deram certo e as que ficaram para depois. O mundo dos negócios, por exemplo, foi um dos que deu certo. Não apenas pela demanda de aparelhos tecnológicos de todo tipo, da indústria de componentes, do comércio eletrônico ou dos serviços de telecomunicações que, juntos, vem sendo responsáveis por bilhões de dólares em negócios no planeta, mas também pela comunicação por e-mail, pela portabilidade do escritório patrocinada pelos notebooks e o acesso à rede, a globalização dos investimentos e mais um sem número de mudanças que um computador conectado à rede oferece ao ambiente de trabalho no século 21. Por outro lado, na educação, temos mais promessas do que conquistas a contabilizar. Educação à distância, salas virtuais, o infinito de informações que a web disponibiliza como suporte à construção do conhecimento, enfim, nada disso ainda é realidade nos processos educacionais. E não venha me dizer que uma escola não sei aonde ou um professor não sei de quê anda fazendo isso ou aquilo usando a Internet. Ainda estamos na fase das experiências. Algumas bem sucedidas, é certo, mas são apenas experiências. Na de democratização da informação e no uso da tecnologia para fins educacionais, telecurso ainda dá muito baile em webaula. E não falo da rede pública de ensino nem de estudantes de baixa renda. Outro dia visitei uma escola de prestígio em São Paulo, localizada em uma área nobre da cidade. Estavam apresentando o novo prédio aos pais dos alunos. Minha decepção ao entrar no ‘laboratório de informática’ com dezenas de computadores lado a lado, novinhos em folha, contrastava com a alegria dos outros visitantes. Não havia uma mesa que não estivesse ocupada pelas máquinas, não havia um livro por perto, nem espaço para conversa ou trabalho ‘off line’ com papéis, canetas, tesouras, etc. Acho que nem lousa tinha. Nas escolas, ainda ensinamos a usar o computador ao invés de ensinar usando o computador. Estamos na idade da pedra. Negócios e educação. Um vai bem no uso da rede, o outro vai mal. Será coincidência ou a Internet, tal qual o resto do mundo, gosta mais de quem paga melhor? A Internet não vai revolucionar as relações humanas, a educação ou viabilizar qualquer outra utopia. Não há argumento razoável que nos faça crer nisso ou em qualquer outra coisa parecida. Vai sim transformar os negócios, como já transformou, e mudar a nossa vida na camada do cotidiano, do consumo e do conforto. As mudanças estarão mais perto das que experimentamos com o advento da indústria automobilística e da popularização do automóvel: vai gerar riqueza para alguns, renda para outros e melhorar enormemente a vida do trabalhador americano que, ao invés de subir num trem, poderá ir para o trabalho sentado num confortável automóvel com ar-condicionado, direção hidráulica e câmbio automático. Mas você não é americano? Então, danou-se.