Dos ET’s à cura do câncer
Autor kobashi :: 29 novembro 2004 - 2:00am tagO uso do computador pessoal cresceu tanto e a Internet faz tanto sucesso que as vezes até eu me esqueço que no mundo digital há muito mais do que internautas, sites e blogs.
A cada dia que passa, a ciência depende mais dos computadores. Pesquisas sobre o clima, genoma humano e até a procura de vida inteligente extra-terrestre exigem uma capacidade enorme de processamento de dados. Mesmo podendo pagar por um supercomputador, e eles custam milhões de dólares, alguns estudos científicos precisam de décadas até terem seus dados analisados. Se o caso é saber se ET’s existem, até dá para esperar mais vinte ou trinta anos, mas se o assunto é a cura do câncer, seria bom que os pesquisadores tivessem todo o poder computacional que desejassem.
Mas o engraçado é que foram os pesquisadores de vida inteligente fora da terra, com o projeto Seti@Home (http://setiathome.ssl.berkeley.edu), que popularizaram o que pode ser a solução para a necessidade crescente que a ciência tem dos supercomputadores: a computação distribuída e voluntária. Vou explicar. Nossos microcomputadores passam boa parte do tempo sem fazer nada, rodando apenas um descanso de tela enquanto falamos ao telefone ou tomamos um cafezinho. Se utilizássemos o tempo ocioso disperso em milhares de computadores pessoais, teríamos um poder de processamento imenso, muito superior a qualquer supercomputador já construído. Tendo isso em mente, pesquisadores da Universidade de Berkeley (EUA) criaram um protetor de tela que, após instalado, usa a Internet para coletar pequenos pacotes de dados de um servidor central, processa estes dados enquanto você não está usando o seu computador, devolve os resultados para o centro de pesquisa, coleta novos dados e assim consecutivamente. Com essa estratégia, e com o programinha do Seti@home instalado em milhares de computadores, eles conseguiram uma capacidade de processamento pela qual nunca poderiam pagar.
Agora a IBM entra na onda e lança, com a colaboração da OMS e da ONU, a Rede Comunitária Mundial (www.worldcommunitygrid.org). Usando a mesma estratégia do Seti@home de computação distribuída e voluntária, esperam oferecer a cientistas o poder computacional que precisam para, por exemplo, descobrir a cura para diversas doenças. O primeiro projeto a receber o apoio do programa tem como objetivo entender melhor as proteínas humanas. Faça a sua escolha e colabore com um dos projetos. Afinal, quantas chances você tem de, enquanto estiver fazendo nada, contribuir para o bem da humanidade?
