Reclamações quase importantes

Autor kobashi :: 24 janeiro 2005 - 2:00am tag
O nome dele é Hernani Dimantas, autor do Marketing Hacker (www.marketinghacker.com.br), blog que já virou livro (Marketing Hacker, A Revolução dos Mercados, Ed. Garamond) e referência para muita gente, eu inclusive. Ativista da cultura digital, visionário do admirável mundo novo da tecnologia, defensor do software livre, de um mundo colaborativo e possuidor de mais de uma dúzia de epítetos que, como estes, rejeita com veemência. Enfim, o sujeito com quem eu converso quando alguma idéia sobre a internet começa a me incomodar. O engraçado é que quase nunca concordamos de pronto. Geralmente gastamos argumentos e mais argumentos de lado a lado até descobrirmos que estamos falando de coisas parecidas, iguais até. Como nossas idéias seguem, invariavelmente, caminhos diferentes, só reconhecemos as semelhanças quando chegamos perto do destino. E isso as vezes demora. O fato é que o Hernani vê mudança onde a gente não vê, por miopia ou incompetência mesmo. O mundo colaborativo e solidário que ele enxerga sendo patrocinado pela internet talvez seja mais uma utopia com a qual teremos que lidar, mas talvez, e eu digo talvez, o ideal da comunidade de software livre, que faz com que milhares de programadores trabalhem na construção de programas de computador que todos podem utilizar livremente, também pode fazer o mesmo em outras áreas do conhecimento ou da produção. Nossa última discussão foi rápida e matadora. Comecei dizendo que iria escrever a coluna sobre algumas falhas que me incomodam no sistema de registro de domínios da internet no Brasil (www.registro.br). Falei da exigência do CNPJ e de um documento que comprove seu caráter de organização sem fins lucrativos para que uma entidade possa registrar um domínio ‘.org.br’. Quem preferiu ou não tem condições de ter um contrato social registrado em cartório, como associações comunitárias, grupos de estudo, grupos de trabalho temporários, movimentos sociais, etc, ficam de fora. Quem pode, arranha no inglês e tem um cartão de crédito internacional, registra o domínio de sua ONG nos EUA, que não tem burocracia. Quem não pode, dança. Emendei reclamando que quando pesquisamos um domínio no site www.registro.br, ou seja, no site brasileiro de registro de domínios, a página de resposta exibe parte das explicações em inglês! Enchi o peito e comecei a dizer que no Brasil se fala português, que já está na hora de resolverem esses problemas, que são falhas como essas que atravancam o crescimento da internet na população de menor renda, quando ele me interrompeu e disse: - Você tá certo, mas o Orkut tá cheio de brasileiro e é todo em inglês. O pessoal se vira. A molecada foi clicando e dando um jeito de entender o que cada link significava. E aí? E aí que eu desliguei o telefone sem ter a resposta, pensando que eu tenho que parar de ficar procurando pêlo em ovo, mas ainda achando que o Comitê Gestor da Internet tem que resolver esses problemas, mesmo eles não sendo tão importantes como eu imaginava.