Internação compulsória para dependentes

Autor kobashi :: 14 agosto 2011 - 3:00am tag
Li o artigo do Andrea Matarazzo na FSP sobre internação compulsória de dependentes de drogas. Faço questão de reproduzi-lo aqui. Confesso que me dá arrepios só de pensar em restringir a liberdade de alguém, não importa o motivo, mas a idéia de “omissão de socorro” apresentada no texto me fez mudar de opinião. A internação compulsória pode, sim, ser um último recurso num rol de políticas de tratamento e prevenção, desde que para isso sejamos capaz de desenvolver um meio eficaz de separar os que escolheram uma vida diferente da nossa (e tem direito a isso) daqueles que não tem mais escolha.

Boa reflexão:

————————————————-

Chance de viver

A internação compulsória não é prisão, não é criminalização, tampouco é varrer o problema das drogas para debaixo do tapete; a questão é urgente

Desde a época em que implantei as melhorias na infraestrutura da região da Luz, como então subprefeito da Sé e depois secretário das Subprefeituras de São Paulo, há seis anos, venho observando atentamente o flagelo dos dependentes químicos na cracolândia. Posso afirmar: viver em completo estado de degradação não é uma escolha consciente. Ninguém que esteja gozando minimamente de sua vontade própria pode considerar como opção a realidade dessas pessoas que seguem, todos os dias, a única alternativa que a droga lhes proporcionou como uma dura sentença de morte.

Todos sabemos quão forte e destrutivo é o vício e quão difícil é sair dele. Nos últimos dias, a internação compulsória tem sido citada como uma possibilidade real de tratamento para quem chegou ao último estágio da dependência.

O tema surge envolto em polêmica e contraposto ao direito de escolha, que é e deve continuar sendo um direito sagrado; mas se tal liberdade já está tolhida pelo uso indiscriminado de drogas, não vejo como desconsiderar a prioridade do direito à vida.

Quando um dependente ainda tem a atenção de sua família, e esta tem condições para tanto, a internação compulsória é um ato de amor. No nível mais alto do flagelo causado pela droga, ele já abandonou a família ou foi abandonado por ela. Não pode também ser abandonado pelo poder público. A meu ver, isso é omissão de socorro.

Obviamente, a internação compulsória deve ser o último estágio de uma política pública baseada na prevenção e na repressão ao tráfico, e isso não se faz apenas com polícia. Enquanto estivemos na prefeitura, lavamos as ruas duas vezes ao dia, iluminamos a região da Luz, fechamos bares, hotéis, ferros-velhos e diversos estabelecimentos ilegais usados pelo crime. Tudo isso inibiu a presença do traficante, mas em nada melhorou as condições de saúde daqueles que por lá vagavam acendendo seus cachimbos. Para mim, essa experiência deixou claro que se aquelas pessoas não fossem afastadas dali para tratamento adequado, nada seria capaz de salvar suas vidas.

A internação compulsória não é prisão, não é criminalização, tampouco é varrer o problema para debaixo do tapete. A questão é urgente. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgou recentemente os resultados de uma pesquisa com 131 usuários de crack atendidos em uma enfermaria de desintoxicação em São Paulo.

Em 12 anos, dos 107 pacientes, 27 tinham morrido, a maior parte de morte violenta ou de Aids; dois estavam desaparecidos; 13 foram presos e outros 22 continuavam usando a droga. Apenas 43 deles conseguiram se curar do vício. Número pequeno, mas que dá esperança.

Na edição da Folha de 31 de julho, o psicólogo americano Adi Jaffe, ele mesmo um ex-dependente, defendeu que “até a reabilitação feita à força é melhor do que nada”.

Jaffe foi tratado compulsoriamente, sobreviveu e retomou o controle sobre sua vida. Hoje, trabalha estabelecendo critérios para avaliar a qualidade do tratamento para dependentes químicos. Está vivo. Creio que todos deveriam ter a mesma chance.


ANDREA MATARAZZO é secretário da Cultura do Estado de São Paulo. Foi secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo e subprefeito da Sé (gestões Serra-Kassab), ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (1999-2001), embaixador do Brasil na Itália (2001-2002) e secretário de Energia do Estado de São Paulo (governo Covas).

Add
A internação compulsória não é prisão, não é criminalização, tampouco é varrer o problema para debaixo do tapete.
autor travail à domicile (não verificado(a)) :: 28 agosto 2011 - 3:12pm
It's terrible that society
It's terrible that society have so many such people. They must fight with increasing their number.
autor write my essay (não verificado(a)) :: 18 novembro 2011 - 1:36pm
excellent
Many thanks so much for a very decent article; it has been really very well written.
autor party dresses (não verificado(a)) :: 4 dezembro 2011 - 9:30pm
respond this post
There are times where someone as the blogger will get something dishonorable in your posts for example comments about essays online.
autor HayesELBA (não verificado(a)) :: 23 dezembro 2011 - 9:18pm
respond this post
Consequently businessmen guess they can go without the article submission services. Nonetheless, websites will not work properly without bookmarks submission!
autor CarlsonAlma34 (não verificado(a)) :: 30 dezembro 2011 - 1:25pm
answer this topic
You never know what may occur afterward. But must for always be prepped for it. Thats why I buy only first-class essay body paragraphs from skillful writing service.
autor Fleming31Vickie (não verificado(a)) :: 2 janeiro 2012 - 4:24am
re
The next wave of crisis is coming. I do not know if it is real to get Custom Papers for Money. A few perfect essay papers writing services are on the market now.
autor MccormickMaura35 (não verificado(a)) :: 11 janeiro 2012 - 1:48am
reply this topic
Can it be real to chat with any professionals in Research proposal format accomplishing. I need to confer with experienced writers just because I need to create my term papers.
autor Talley29Naomi (não verificado(a)) :: 11 janeiro 2012 - 2:11am
Enviar novo comentário
O conteúdo deste campo é privado não será exibido publicamente.
  • Linhas e parágrafos quebram automaticamente.
  • Allowed HTML tags: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd>

Mais informações sobre opções de formatação

Captcha
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Escreva os caracteres da imagem (respeitando caixa alta/baixa)