Ao Steve, com carinho.

Autor kobashi :: 14 outubro 2011 - 12:41pm tag
Tinha a fama de irascível e, ao que tudo indica, merecida. Filho adotivo, largou a faculdade para criar o computador pessoal (PC), o Apple II, que era II sem nunca ter sido I. Steve Jobs achou que as pessoas confiariam mais em um produto que dera tão certo que já estava em sua “segunda” versão. Não errou.

Fez um curso de caligrafia para convites e diplomas. Precisava complementar a curta renda de estudante. Ficou apaixonado pelos tipos. Decidiu que seu próximo computador, o Macintosh, não usaria mais letras “monospace”, como as máquinas de escrever e os computadores da época. Teria na qualidade tipográfica seu segundo grande diferencial. O primeiro, é claro, seriam o mouse e a interface gráfica baseada em janelas e pastas, como no sistema abandonado pela Xerox, que comprou por nada e ressuscitou

Estávamos no começo da década de 80 e nos dez anos que haviam se passado, Jobs já tinha definido como seria o computador pessoal pelos próximos trinta anos. Não à toa seu maior rival se chamaria Windows, conceito que ele mesmo havia feito prosperar. De quebra, introduziu o notebook, o trackpad e o disquete 3 ½ (aquele durinho, alguém ainda lembra?).

Mas a Apple ia mal. Com uma plataforma fechada e sendo seu único fabricante, era difícil competir com computadores baratos rodando Windows. E com os milhares de fabricantes espalhados pelo mundo. Mesmo na liderança do mercado educacional, de agências de propaganda e design, foi demitido de sua própria empresa.

Fora da Apple, criou a NexT e a Pixar. Mudou o conceito de filme de animação, o mesmo desde Walt Disney e sua Cinderela (1927), introduzindo a computação gráfica e o 3D. E nos entregou Toy Story, Vida de inseto, Monstros SA, Procurando Nemo, Ratatouille… Até que em 2006 a Disney a comprasse, fazendo de Jobs o maior acionista individual do estúdio desde o próprio Walt.

A Apple, ainda mais combalida por erros sucessivos de seus executivos, traz Jobs de volta. Ele lança o iMac, um computador com pequenas quase inovações (sem disquete, monovolume, placa de rede integrada) mas com um grande diferencial: era colorido. E bonito. Jobs volta com uma fixação: o design. Deste ponto em diante os produtos Apple não seriam apenas os melhores e os mais inovadores. Seriam também os mais bonitos.

Com o iPod a Apple resolve o primeiro e segundo maiores problemas do walkman: a quantidade e a escolha das músicas. A TouchWheel e o sistema de menus em cascata oferecem navegação rápida, mesmo para as mais de 1 mil músicas que ele carregava. Com a iTunes Store, resolve o problema que tirava o sono das grandes gravadoras: como ganhar dinheiro com música digital. Foram mais de 1 milhão de músicas baixadas no primeiro dia a US$ 0,99. Faça as contas. Não tardou para seriados de TV, filmes e desenhos animados também estarem disponíveis.

Com o iPhone foi estabelecido um novo conceito de computação pessoal. Falar era apenas um detalhe. A diferença estava na computação móvel, geo-referenciada, baseada em ícones e numa interface touch screen. Jobs estava, nada mais nada menos, passando a perna na internet. E tornando o teclado obsoleto pela 2a vez. No lugar de sites, apps. Pequenos pedaços de funcionalidades ao alcance de seus dedos. O iPad não é mais que um iPhone grande que não faz ligações, um iPhone para se ter em casa. Mas lembre-se: ligações telefônicas são apenas um detalhe.

Jobs raramente partiu do zero. Tirando as fontes ‘truetype’ (e quem é do ramo sabe que isso não é pouca coisa), suas maiores contribuições foram aperfeiçoamentos, idéias de outros que ele transformava e as tornava únicas. E na maioria das vezes, porque lhes tirava o excesso, limpava, devolvia-as ao essencial. Não era menos genial por isso.

Jobs entendeu nosso tempo melhor que ninguém. Uniu o software ao hardware, desenhou na Califórnia e produziu na China, vendeu na internet materiais e imateriais, foi elitista e popular. Um mago sem vergonha de sua magia.

Jobs definiu a interface homem-computador nos últimos 30 anos. E isso não é pouco. Se nosso passado recente pode ser contado pela maneira como nos relacionamos com a tecnologia, o que dizer de quem estabeleceu os parâmetros desse relacionamento?

Com seus tênis de corrida, calça jeans e camiseta preta, Jobs foi pós-hippie, pós-industrial, pós-moderno. Com ele termina o Séc. XX. Thanks, Steve.

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autor luxury hotels (não verificado(a)) :: 4 dezembro 2011 - 9:26pm
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autor WendyTerrell (não verificado(a)) :: 11 dezembro 2011 - 5:10am
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autor WILLA33Chase (não verificado(a)) :: 9 janeiro 2012 - 9:27pm
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