Daqui a 10 anos, o século 21
Autor kobashi :: 10 outubro 2005 - 3:00am tagMinha paixão por tecnologia começou cedo. Aos 11 anos aborreci meus pais o suficiente até que concordassem em pagar um curso de Técnico de Rádio e TV por correspondência. Aprendi sobre transistores, capacitores, corrente elétrica, tubos de raios catódicos, ondas de rádio e outras tantas. Passei a consertar os eletrodomésticos quebrados de toda a família, mas minha especialidade mesmo era desmontá-los. O remonte era, na maioria das vezes e para minha tristeza, tarefa de um técnico de verdade. Na pré-adolescência, levei tanto choque que até hoje duvido da minha integridade neurológica.
Quando terminei o colegial ganhei uma bolsa para um curso de programação de microcomputadores, na época em que eles ainda eram novidade. Foi amor à primeira vista. Fui trabalhar como programador na empresa de um colega da faculdade de economia. Adam Smith e Keynes de manhã, bits e bytes à tarde. Depois fui trabalhar com planejamento e me especializei no mercado de tecnologia.
Quando resolvi me engajar em uma causa social, foi em uma ONG de inclusão digital. E minha primeira coluna em um jornal era sobre internet. Até que cheguei aqui, no Link, escrevendo sobre tecnologia e cidadania. Depois daquele curso, tudo o que eu fiz tinha computador no meio. A gente é o que a gente aprende. Poucas coisas são tão determinantes quanto a educação que se recebe.
O problema é que já não se aprende como se aprendia antes. A televisão, o telefone, a internet deram outra velocidade para o mundo e para a informação. Nossa experiência de vida e aprendizado são cada vez mais dependentes da tecnologia que nos cerca. Nossa capacidade de desenvolvimento pessoal e coletivo é determinada pela desenvoltura com que caminhamos no universo digital. Estar distante das tecnologias da informação e comunicação provoca deficiências múltiplas, sejam educacionais, econômicas, sociais ou cidadãs. Isso é o que chamamos de exclusão digital, quer dizer, a incapacidade de ter a tecnologia jogando no seu time, só no do adversário. Vale para um indivíduo, para uma comunidade ou para um país – no caso, o nosso.
Definitivamente, a tecnologia e a comunicação não jogam com a camisa do Brasil. São tributos demais e planejamento de menos. Baixar os impostos que incidem nos computadores destinados à população de menor renda é bacana, mas resolve apenas parte do problema. Nossa política tecnológica é tímida e conservadora. Pelo andar da carruagem, daqui a dez anos estaremos preparados para entrar no século 21. Mas o que são 15 anos de atraso?
Esta é minha última coluna aqui no Link. Confesso que tenho certo orgulho de ter participado do lançamento desta ‘matriz midiática’ e ter contribuído, mesmo modestamente, para seu evidente sucesso. Mas o mundo gira e os bits voam. Para mim, foi um prazer. Nos vemos por aí.
