Semana passada estive no XI Conip, Congresso de Informática Pública, no Palácio das Convenções do Anhembi. De terno e gravata, num calor indigno para o mês de maio, percorri estandes e conversei com representantes de empresas públicas e privadas, ministérios e órgãos de governo que, direta ou indiretamente, são responsáveis pela tecnologia que os governos usam e colocam à disposição dos cidadãos. O Conip tem a tradição de mostrar hoje o que vai se tornar padrão amanhã. Diversas práticas tecnológicas e serviços ao cidadão que foram apresentados em edições anteriores do congresso hoje são políticas públicas amplamente reconhecidas por sua qualidade e adequação. O Serviço de Atendimento ao Cidadão da Bahia foi apresentado no Conip muito antes da criação do Poupatempo e de seus similares Brasil afora. O sistema eletrônico de compras da Sabesp, um leilão invertido onde ganha o fornecedor que oferece o menor preço, também foi apresentado antes que esse tipo de prática se tornasse um padrão para aquisição de materiais na esfera pública. Para lembrar um tema da moda, o software livre já aparecia lá desde 1999. Do que vi e ouvi no congresso, três temas me chamaram a atenção. Talvez nem todos sejam realmente tendências, mas aposto que vamos ouvir falar cada vez mais de certificação digital, governo móvel e perspectiva do cidadão. A certificação digital veio pra ficar. Os preços vão cair, alguns bancos vão oferecer gratuitamente para seus melhores clientes e o processo de adoção será progressivo e contínuo. As fraudes pela internet vão diminuir, o cidadão ganhará em conveniência na obtenção de informações de órgãos de governo tanto quanto no cumprimento de suas obrigações. Quem assinou digitalmente sua declaração de Imposto de Renda, por exemplo, já terá preferência na entrega da restituição. É um caminho sem volta. Tem gente séria apostando no Mgov, ou governo móvel. Wagner Diniz, diretor-executivo do Instituto Conip, que organiza o congresso, acredita que o governo eletrônico será multi-plataforma, ou seja, não será restrito à web. O uso do telefone celular é certo. Como exemplo, Diniz lembra que, em Curitiba, qualquer cidadão já pode receber em seu aparelho uma mensagem de texto com a ficha completa de um veículo, bastando ligar para um 0800 e digitar a placa do automóvel. O Detran local informa se o IPVA está pago, se o carro foi licenciado ou se é roubado. Nada mal pra quem quer comprar um carro usado. Por fim, o Ministério do Planejamento deve divulgar em breve uma pesquisa sobre governo eletrônico que, entre outras coisas, conclui que o brasileiro quer mesmo é ser bem atendido pessoalmente, ou seja, cara a cara. Balde de água fria em quem achava que um país com quase 90% de desconectados pode colocar tanta ficha na internet sem antes fazer sua lição de casa. Ainda há muito investimento a ser feito na parte de dentro do governo, aquela que nós não vemos pela web, mas temos uma boa idéia de como está quando precisamos de um serviço público. O novo nessa história é que um ministério encomendou uma pesquisa para saber o que os cidadãos acham dos serviços de governo eletrônico. Nossa opinião ser relevante é a tendência que mais me agrada.