Casa Brasil: é bom, mas é pouco
Autor kobashi :: 16 maio 2005 - 3:00am tagQuando ouvi falar, pela primeira vez, do Casa Brasil, projeto de inclusão digital do governo federal, fiquei impressionado. A proposta de abrir mil unidades em um ano por si só já chamava a atenção, mas não foi apenas essa a razão do meu interesse. O Casa Brasil é um desses projetos simples e efetivos, bem bolados mesmo, um exemplo de como colocar a tecnologia a serviço das comunidades.
Ao invés de tentar reinventar a roda, o pessoal do governo parece ter selecionado as melhores experiências de inclusão digital em curso por aqui e no exterior. Experiência eles têm.
Rodrigo Assumpção, coordenador do Comitê de Inclusão Digital do Governo Eletrônico, foi fundador e coordenador do Sampa.org, ONG responsável pela primeira rede pública do País. Sérgio Amadeu, presidente do ITI e um dos articuladores do projeto, foi responsável pela criação dos Telecentros da Cidade de São Paulo durante a gestão Marta Suplicy.
Cada um da sua maneira, esses são dois exemplos de projetos de inclusão digital que ajudaram, com seus erros e acertos, a moldar o que está sendo proposto agora.
Formado a partir de módulos organizados em torno de um telecentro, o Casa Brasil não possui uma estrutura fixa. Cada unidade poderá ter uma configuração própria, definida a partir da realidade local e dos programas que outros ministérios disponibilizarão à população por intermédio do projeto.
Na prática, estamos falando de um telecentro com uma sala de leitura e um pequeno auditório como estrutura básica.
Some-se a isso um laboratório de tecnologias digitais, um estúdio multimídia e uma rádio comunitária. De quebra, uma agência do Banco Popular (Banco do Brasil) e do Banco Postal (Correios).
Tudo gerido por uma ONG parceira do governo e com recursos garantidos para dois anos de funcionamento. É o Casa Brasil.
A tecnologia agrega e catalisa, mas não domina. O governo estrutura e financia, mas respeita as cores locais. Tem tudo para dar certo.
Mas não vai ser fácil administrar a relação entre as organizações sociais que administrarão as unidades, o comitê gestor do Casa Brasil e os ministérios e órgãos públicos que compartilharão a estrutura do projeto. Tirando o problema orçamentário, talvez esse seja o maior desafio a ser enfrentado.
E, por falar em orçamento, apesar de o Congresso Nacional ter reservado R$ 224 milhões para o projeto, a equipe econômica liberou apenas R$ 20 milhões até agora. Passamos das espantosas mil unidades prometidas inicialmente para tímidas 90. Para um país com mais de 5 mil municípios, é quase nada.
O governo tem um projeto bom na mão. Participativo, inclusivo, que fortalece as organizações da sociedade civil e trata de um tema que o presidente não se cansa de repetir como sendo prioritário. Mas apenas 10% da verba aprovada no orçamento foi liberada. Alguém entendeu? Eu também não.
