Este deve ser o primeiro de uma série de posts que resolvi escrever sobre o PNBL, Plano Nacional de Banda Larga que, segundo prometido, será anunciado no início deste mês de abril pelo governo federal. A primeira vez que eu ouvi falar na (re)criação de uma estatal de banda larga para operar a rede de fibras óticas da Eletrobrás/ Eletronet foi em outubro de 2004, durante "32o Seminário Nacional de Informática Pública". Fui ao evento como colunista do Estadão e ouvi de um representante do governo federal sobre um projeto muito parecido com o PNBL: utilização dos recursos do Fust, rede de fibra ótica ociosa e "parcerias" para a última milha. A diferença era um detalhe pitoreso: a “rede” criada seria como um anel semi-aberto, não teria acesso pleno à internet, só aos domínios .gov.br e .org.br e outros conteúdos que seriam criados especificamente para esta rede "pública". Enfim, uma bobagem. Lembro de ter dito ao meu interlocutor que aquilo não iria sair do papel, que era uma idéia estapafúrdia e que não havia espaço para um movimento (re)estatizante como aquele e muito menos naqueles termos (ser colunista é bem mais divertido que ser repórter). Seis anos se passaram e a idéia volta à cena. E tendo o Presidente Lula como defensor. Será?

Quero deixar claro que sou a favor de “um” Plano Nacional de Banda Larga. Não sei se este que será proposto pelo governo federal, mas algum. Sim, precisamos de um plano. As operadoras de telefonia não ofertarão conexão de qualidade a preços razoáveis a boa parte deste país sem interferência firme do Estado (já não oferecem e tiveram tempo pra isso, que fique claro). Mais: não é razoável deixar para as operadoras a definição da política de banda larga do país. Já aprendemos o potencial estratégico da internet e governo serve pra isso, fazer política pública. Não vou discutir a valorização das ações das empresas envolvidas. Também não vou discutir se houve ou há tráfico de influência. Deixo essas matérias para a CVM (alô, alô, alguém na escuta?), polícia federal e gente melhor informada dos meandros palacianos que eu. Mas tentarei oferecer uma análise do ponto de vista de política pública para inclusão e desenvolvimento social, que é o meu terreno. E dar uns pitacos nos porquês desse plano estar atrasado anos e, mesmo depois do entusiasmo declarado do presidente, ter seu anúncio adiado duas vezes.

Já, já tem mais.

Jogos sociais

Autor kobashi :: 21 setembro 2009 - 5:03pm tag
Ando testando as aplicações "sociais" do Facebook. Joguinhos em que interagimos com a aplicação e com nossos amigos na rede. Passei o fim de semana jogando Mafia Wars, FarmVille e YoVille. É meio viciante, mas você enjoa logo. Tipo mousse de chocolate. Todos partem dos mesmos princípios: você assume um personagem e tem que acumular pontos pra que ele cresça na vida, seja roubando bancos, plantando berinjela ou dançando com as gatinhas. Joga sozinho a maior parte do tempo, mas depende dos amigos para algumas tarefas, ganhar uns bônus e crescer mais rápido. Se tiver muita pressa, pode comprar pontos especiais para agilizar o processo, via cartão de crédito ou paypal. A bem da verdade, a coisa toda é feita pra você precisar desses pontos extras e gastar uma graninha. Tudo bem. Alguém tem que ganhar dinheiro e dá pra jogar mesmo sem colocar a mão no bolso. Bem, mas e daí? E daí que semana que vem participo de um debate sobre ensino a distância e tô pensando em levar essas apliações como exemplo. No passado, a gente descobria o que ia pegar na internet acompanhando a indústria da pornografia (fotos, videos, modelos de cobrança, chat, videochat, etc). Os caras tentavam de tudo e darwinianamente sobrava o que funcionava. A internet não perdoa. Taí o Second Life que não nos deixa mentir. Foi de megaplustendência ao total ostracismo em 2 anos. Durou demais, até. O pessoal de EaD tem que mudar sua fonte de inspiração. Ainda levam aulas, provas e textos xerocados alinhavados com fóruns e chats. Esqueçam. Mirar no Wii, PS3 e nos webjogos sociais dará melhores resultados.

O futuro em 1h20min11s

Autor kobashi :: 29 maio 2009 - 6:21pm tag


Que a molecada não usa mais email não é novidade pra ninguém. As conversas são mais curtas, mais rápidas e cabem bem no MSN, nos scraps, nos comentários dos álbuns de fotos e no SMS, aquela tecnologia torpedeira que mora na dobra espaço-tempo da telefonia móvel e a internet.

O fato é que não sabemos o impacto que esse novo comportamento vai ter na forma como as coisas serão feitas por essa geração, quer dizer, na forma como eles vão produzir, trabalhar, estudar e se divertir quando saírem da caixa que pais, professores e um suporte tecnológico arcaico, como o email p.ex, os contêm.

Hoje temos uma pista de que ferramenta eles vão usar. Tá explicado no vídeo aí de cima. É o Google Wave. Uma tecnologia que vai mudar as coisas como o html já mudou um dia. É longo e se você não prestar atenção não vai entender porque esse monte de funcionalidades vai fazer tanta diferença. São 1h20m11s que resumem mais de dois anos de trabalho da equipe mais criativa que a internet possui. Vale a pena. Ah! Tudo em código aberto, com federação, etc, ou seja, não participa quem não quer. Até hoje, nada tão parecido com os primórdios da internet, com o TCP/IP, HTTP, SMTP, etc. E nem tão revolucionário.

Ok, eu sei que você não vai ver o vídeo, mas depois não diga que eu não avisei.

PS: Lá no final do vídeo tem uma aplicação que faz traduções em tempo real e que entende o contexto do que está sendo escrito. Vale a pena...

...agora diga isso com uma imagem.

Autor kobashi :: 11 maio 2009 - 9:21pm tag
Tive um professor de física que gostava de dizer que o Sol iria encolher e esfriar, mas que ninguém precisaria se preocupar com o congelamento do planeta, pois antes, ele, o Sol, iria expandir até engolir Vênus, esquentando nossa atmosfera a ponto de tornar a vida na Terra impossível. Há quem diga que os jornais vão acabar. Não estão completamente errados. Jornais como conhecemos hoje, impressos em papel e distribuídos na porta de casa todas as manhãs não vão durar muito tempo. Mas é pouco provável que o fim do jornal impresso também signifique o fim das redações. Sei que é um desalento para quem acredita que o mal do mundo é o PIG, a tal da imprensa golpista, que teima em achar defeito no salvador da pátria e em seu governo, mas fazer o quê? O jornal impresso não será substituído por milhares de blogues "independentes e isentos", mas por sua versão eletrônica, escrita por uma redação profissional, assalariada, sob um guarda-chuva empresarial e sujeita às mesmas qualidades e vícios. A notícia apurada, selecionada, organizada e distribuída continuará a existir, em papel ou pela internet. Mas também não será a mesma, como já não é. Os milhares de blogues, as redes sociais, os comentários, a rapidez com que a informação circula, cria versões, se purifica e se contamina, enfim, esse ambiente propício à reação e inóspito à reflexão já está nas redações, como a bem da verdade, em todos os outros lugares também. Por muito tempo as coisas ficarão muito parecidas, apesar de diferentes. A informação de referência ainda virá de jornais e grandes grupos empresariais tanto quanto poderá ser contestada e desacreditada por um sem número de fontes alternativas, e o texto, tal como usamos hoje, vai ceder um pouco mais, como já cedeu ao rádio e à TV, para o conteúdo multimídia e multipúblico. Revolucionários e conservadores vão se decepcionar. O público que aprendeu a escrever usando MSN e Orkut não está interessado nessa disputa. Do Clarín vem dois exemplos do que, imagino, vai ocupar boa parte do tempo das redações daqui por diante. Veja aqui um especial sobre o México, e aqui um sobre o Brasil. O jornal impresso não deixará órfãos. Quando acabar, já não estará sendo lido ou escrito. PS1: o título é uma óbvia homenagem ao texto, eterno e insubstituível. PS2: Para os aflitos, lembro que ainda temos 5 bilhões de anos até o resfriamento do Sol, 1,5 bilhão de anos até sua expansão a ponto de torrar tudo na superfície do nosso planeta.

Quem paga a conta?

Autor kobashi :: 8 maio 2009 - 3:44pm tag
Um artigo do Farhad Manjoo, da Slate, sobre como o Youtube e similares vão conseguir pagar suas contas, se é que vão. Tá em inglês, mas vale a pena. Adorei o arremate final. Vai lá. Time wasn't wrong: "YouTube and its fellow user-contributed sites really did change the world. Too bad nobody could find a way to pay for it."