Durante muito tempo trabalhei ajudando empresas de TI a se reorganizar. Não raro uma mudança no consumidor, um novo competidor ou tecnologia faz uma empresa perder mercado. Nesses casos, ou a empresa consegue se adaptar ao novo cenário ou começam as decisões “salve-se quem puder”, causa e conseqüência de uma arritimia entre seus diferentes departamentos. A disputa entre os executivos cresce e, ato contínuo, colaboradores tomam as dores dos chefes e inicia-se uma caça às bruxas, com culpados alojados em cada posto de trabalho. A confusão está montada: uma empresa cindida no momento em que a união era mais necessária.

Para minha sorte, e azar das empresas, o problema era geralmente abordado a partir da perspectiva interna. Disputas entre diretores eram tratadas como causa e não como conseqüência dos problemas. Gastavam mais tempo brigando por um espólio de mercado imaginário do que para identificar e criar novas oportunidades. O inimigo, achavam eles, era interno.

Raramente vi empresas saírem desse imbróglio sem uma liderança forte. E não precisava ser de carne e osso. Muitas vezes vi esse papel ser representado por um produto recém saído da engenharia ou por uma empresa concorrente forte o suficiente para ser um “líder por oposição” e assim pacificar as divergências internas. Quando dois ou mais desses fatores se uniam o resultado era matador. Na indústria de tecnologia, exemplos não faltam.

Acabo de ler o artigo do Gaudêncio Torquato que saiu no Estadão sobre o declínio da social-democracia e a crise no PSDB. E li porque segui este link (http://www.florianopesaro.com.br/orgulhodeserpolitico/social-democracia-em-declive/) que o vereador Floriano Pesaro colocou no twitter. Vale a pena.

Entendo pouco de política, mas é difícil resistir ao paralelo. Esmiuçar disputas internas é, e sempre foi, perda de tempo. Um partido político deve ser uma alternativa de poder e para assim ser reconhecido interna e externamente depende da clareza de suas idéias.

Torquato escreve que quando o “PSDB se ressente da ausência de discurso, é porque seu tradicional menu foi repartido por outros comensais” e cita o abandono pelos “partidos de esquerda” dos jargões de “exploração capitalista” e do “velho socialismo” além da apropriação de muitas das idéias da social-democracia. Lembra também a evolução e adaptação da social-democracia ao capitalismo europeu com “solda” liberal. Pois é, é isso mesmo.

Mas, mesmo reconhecendo o artifício do articulista, a pergunta que coloca “intrigante” é o fato da crise se instalar em um partido “que administra oito Estados, detentores de 50% do PIB do País, com uma população de 64,5 milhões de habitantes e um eleitorado correspondente a 47,5% dos eleitores”. Ora, crises são mais afeitas aos grandes. Partidos sem representação, assim como as pequenas empresas, definham longe dos olhos e das preocupações do público.

Intrigante é entender a demora para que o partido que foi um dos pilares da redemocratização, da estabilidade econômica, do resgate e fortalecimento institucional e que estabeleceu a relação cidadã entre o estado e seu povo, reconheça seu líder legítimo, oponha-se a seu adversário por dever de ofício e estabeleça um discurso em que fique claro o ideário que o coloca como uma alternativa nacional de poder mais moderna, solidária e justa.

Puxa uma cadeira

Autor kobashi :: 13 maio 2009 - 10:22pm tag
Recebi esse video há alguns dias de uma amiga e tentei descobrir se realmente há uma biblioteca na Holanda com esse tipo de "serviço" em operação (ou se é apenas um protótipo), mas como quase tudo que achei estava em neerlandês, o máximo que consegui foi o site do designer criador do "take-a-seat", a poltroninha esperta que vocês podem ver no filminho abaixo. Quem já viu aqueles jogos de futebol entre times de pequenos robôs e outros desafios comuns nessas gincanas geeks vai perceber a semelhança.

Quem paga a conta?

Autor kobashi :: 8 maio 2009 - 3:44pm tag
Um artigo do Farhad Manjoo, da Slate, sobre como o Youtube e similares vão conseguir pagar suas contas, se é que vão. Tá em inglês, mas vale a pena. Adorei o arremate final. Vai lá. Time wasn't wrong: "YouTube and its fellow user-contributed sites really did change the world. Too bad nobody could find a way to pay for it."

Créditos de Carbono

Autor kobashi :: 28 março 2009 - 2:36pm tag
Dias 30 e 31 de março, no Teatro TUCA em São Paulo, vai rolar o Seminário Internacional Carbon Finance Workshop, organizado pela PUC-SP, Universidade de Toronto e PWC - PriceWaterhouseCoopers. Olhando a programação dá pra ver que o foco é discutir o mercado de carbono na prática, "estrutura do mercado de carbono, tributação versus comercialização, mercado voluntário, redução de emissões, project finance, política climática, gerenciamento de riscos, princípios contábeis, mensuração, divulgação e verificação do carbono." Ou seja, o velho tudo o que você sempre quis saber sobre o mercado de carbono e não tinha pra quem perguntar... O evento é caro e as inscrições já estão fechadas, mas prometo twitar o evento em @rkobashi (http://twitter.com/rkobashi) e escrever uma série de posts com o que eu ouvir por lá, aqui. do www.lixoeletronico.org

Quando há dois meses escrevi sobre o fim da assinatura telefônica básica, recebi uma enxurrada de e-mails. Graças a uma liminar concedida pela 2ª Vara da Justiça Federal em Brasília, ficamos desobrigados ‘legalmente’ de pagar a tal assinatura.