Empresas, Gaudêncio Torquato e o declínio da social-democracia
Autor kobashi :: 9 maio 2011 - 9:42pm tagDurante muito tempo trabalhei ajudando empresas de TI a se reorganizar. Não raro uma mudança no consumidor, um novo competidor ou tecnologia faz uma empresa perder mercado. Nesses casos, ou a empresa consegue se adaptar ao novo cenário ou começam as decisões “salve-se quem puder”, causa e conseqüência de uma arritimia entre seus diferentes departamentos. A disputa entre os executivos cresce e, ato contínuo, colaboradores tomam as dores dos chefes e inicia-se uma caça às bruxas, com culpados alojados em cada posto de trabalho. A confusão está montada: uma empresa cindida no momento em que a união era mais necessária.
Para minha sorte, e azar das empresas, o problema era geralmente abordado a partir da perspectiva interna. Disputas entre diretores eram tratadas como causa e não como conseqüência dos problemas. Gastavam mais tempo brigando por um espólio de mercado imaginário do que para identificar e criar novas oportunidades. O inimigo, achavam eles, era interno.
Raramente vi empresas saírem desse imbróglio sem uma liderança forte. E não precisava ser de carne e osso. Muitas vezes vi esse papel ser representado por um produto recém saído da engenharia ou por uma empresa concorrente forte o suficiente para ser um “líder por oposição” e assim pacificar as divergências internas. Quando dois ou mais desses fatores se uniam o resultado era matador. Na indústria de tecnologia, exemplos não faltam.
Acabo de ler o artigo do Gaudêncio Torquato que saiu no Estadão sobre o declínio da social-democracia e a crise no PSDB. E li porque segui este link (http://www.florianopesaro.com.br/orgulhodeserpolitico/social-democracia-em-declive/) que o vereador Floriano Pesaro colocou no twitter. Vale a pena.
Entendo pouco de política, mas é difícil resistir ao paralelo. Esmiuçar disputas internas é, e sempre foi, perda de tempo. Um partido político deve ser uma alternativa de poder e para assim ser reconhecido interna e externamente depende da clareza de suas idéias.
Torquato escreve que quando o “PSDB se ressente da ausência de discurso, é porque seu tradicional menu foi repartido por outros comensais” e cita o abandono pelos “partidos de esquerda” dos jargões de “exploração capitalista” e do “velho socialismo” além da apropriação de muitas das idéias da social-democracia. Lembra também a evolução e adaptação da social-democracia ao capitalismo europeu com “solda” liberal. Pois é, é isso mesmo.
Mas, mesmo reconhecendo o artifício do articulista, a pergunta que coloca “intrigante” é o fato da crise se instalar em um partido “que administra oito Estados, detentores de 50% do PIB do País, com uma população de 64,5 milhões de habitantes e um eleitorado correspondente a 47,5% dos eleitores”. Ora, crises são mais afeitas aos grandes. Partidos sem representação, assim como as pequenas empresas, definham longe dos olhos e das preocupações do público.
Intrigante é entender a demora para que o partido que foi um dos pilares da redemocratização, da estabilidade econômica, do resgate e fortalecimento institucional e que estabeleceu a relação cidadã entre o estado e seu povo, reconheça seu líder legítimo, oponha-se a seu adversário por dever de ofício e estabeleça um discurso em que fique claro o ideário que o coloca como uma alternativa nacional de poder mais moderna, solidária e justa.
Para minha sorte, e azar das empresas, o problema era geralmente abordado a partir da perspectiva interna. Disputas entre diretores eram tratadas como causa e não como conseqüência dos problemas. Gastavam mais tempo brigando por um espólio de mercado imaginário do que para identificar e criar novas oportunidades. O inimigo, achavam eles, era interno.
Raramente vi empresas saírem desse imbróglio sem uma liderança forte. E não precisava ser de carne e osso. Muitas vezes vi esse papel ser representado por um produto recém saído da engenharia ou por uma empresa concorrente forte o suficiente para ser um “líder por oposição” e assim pacificar as divergências internas. Quando dois ou mais desses fatores se uniam o resultado era matador. Na indústria de tecnologia, exemplos não faltam.
Acabo de ler o artigo do Gaudêncio Torquato que saiu no Estadão sobre o declínio da social-democracia e a crise no PSDB. E li porque segui este link (http://www.florianopesaro.com.br/orgulhodeserpolitico/social-democracia-em-declive/) que o vereador Floriano Pesaro colocou no twitter. Vale a pena.
Entendo pouco de política, mas é difícil resistir ao paralelo. Esmiuçar disputas internas é, e sempre foi, perda de tempo. Um partido político deve ser uma alternativa de poder e para assim ser reconhecido interna e externamente depende da clareza de suas idéias.
Torquato escreve que quando o “PSDB se ressente da ausência de discurso, é porque seu tradicional menu foi repartido por outros comensais” e cita o abandono pelos “partidos de esquerda” dos jargões de “exploração capitalista” e do “velho socialismo” além da apropriação de muitas das idéias da social-democracia. Lembra também a evolução e adaptação da social-democracia ao capitalismo europeu com “solda” liberal. Pois é, é isso mesmo.
Mas, mesmo reconhecendo o artifício do articulista, a pergunta que coloca “intrigante” é o fato da crise se instalar em um partido “que administra oito Estados, detentores de 50% do PIB do País, com uma população de 64,5 milhões de habitantes e um eleitorado correspondente a 47,5% dos eleitores”. Ora, crises são mais afeitas aos grandes. Partidos sem representação, assim como as pequenas empresas, definham longe dos olhos e das preocupações do público.
Intrigante é entender a demora para que o partido que foi um dos pilares da redemocratização, da estabilidade econômica, do resgate e fortalecimento institucional e que estabeleceu a relação cidadã entre o estado e seu povo, reconheça seu líder legítimo, oponha-se a seu adversário por dever de ofício e estabeleça um discurso em que fique claro o ideário que o coloca como uma alternativa nacional de poder mais moderna, solidária e justa.
Os fantasmas do PNBL - Plano Nacional de Banda Larga
Autor kobashi :: 9 março 2010 - 8:57pm tagEste deve ser o primeiro de uma série de posts que resolvi escrever sobre o PNBL, Plano Nacional de Banda Larga que, segundo prometido, será anunciado no início deste mês de abril pelo governo federal.
A primeira vez que eu ouvi falar na (re)criação de uma estatal de banda larga para operar a rede de fibras óticas da Eletrobrás/ Eletronet foi em outubro de 2004, durante "32o Seminário Nacional de Informática Pública". Fui ao evento como colunista do Estadão e ouvi de um representante do governo federal sobre um projeto muito parecido com o PNBL: utilização dos recursos do Fust, rede de fibra ótica ociosa e "parcerias" para a última milha. A diferença era um detalhe pitoreso: a “rede” criada seria como um anel semi-aberto, não teria acesso pleno à internet, só aos domínios .gov.br e .org.br e outros conteúdos que seriam criados especificamente para esta rede "pública". Enfim, uma bobagem. Lembro de ter dito ao meu interlocutor que aquilo não iria sair do papel, que era uma idéia estapafúrdia e que não havia espaço para um movimento (re)estatizante como aquele e muito menos naqueles termos (ser colunista é bem mais divertido que ser repórter). Seis anos se passaram e a idéia volta à cena. E tendo o Presidente Lula como defensor. Será?
Quero deixar claro que sou a favor de “um” Plano Nacional de Banda Larga. Não sei se este que será proposto pelo governo federal, mas algum. Sim, precisamos de um plano. As operadoras de telefonia não ofertarão conexão de qualidade a preços razoáveis a boa parte deste país sem interferência firme do Estado (já não oferecem e tiveram tempo pra isso, que fique claro). Mais: não é razoável deixar para as operadoras a definição da política de banda larga do país. Já aprendemos o potencial estratégico da internet e governo serve pra isso, fazer política pública. Não vou discutir a valorização das ações das empresas envolvidas. Também não vou discutir se houve ou há tráfico de influência. Deixo essas matérias para a CVM (alô, alô, alguém na escuta?), polícia federal e gente melhor informada dos meandros palacianos que eu. Mas tentarei oferecer uma análise do ponto de vista de política pública para inclusão e desenvolvimento social, que é o meu terreno. E dar uns pitacos nos porquês desse plano estar atrasado anos e, mesmo depois do entusiasmo declarado do presidente, ter seu anúncio adiado duas vezes.
Já, já tem mais.
Quero deixar claro que sou a favor de “um” Plano Nacional de Banda Larga. Não sei se este que será proposto pelo governo federal, mas algum. Sim, precisamos de um plano. As operadoras de telefonia não ofertarão conexão de qualidade a preços razoáveis a boa parte deste país sem interferência firme do Estado (já não oferecem e tiveram tempo pra isso, que fique claro). Mais: não é razoável deixar para as operadoras a definição da política de banda larga do país. Já aprendemos o potencial estratégico da internet e governo serve pra isso, fazer política pública. Não vou discutir a valorização das ações das empresas envolvidas. Também não vou discutir se houve ou há tráfico de influência. Deixo essas matérias para a CVM (alô, alô, alguém na escuta?), polícia federal e gente melhor informada dos meandros palacianos que eu. Mas tentarei oferecer uma análise do ponto de vista de política pública para inclusão e desenvolvimento social, que é o meu terreno. E dar uns pitacos nos porquês desse plano estar atrasado anos e, mesmo depois do entusiasmo declarado do presidente, ter seu anúncio adiado duas vezes.
Já, já tem mais.
Telefone social: você não vai ter um
Autor kobashi :: 3 outubro 2005 - 3:00am tagQuando há dois meses escrevi sobre o fim da assinatura telefônica básica, recebi uma enxurrada de e-mails. Graças a uma liminar concedida pela 2ª Vara da Justiça Federal em Brasília, ficamos desobrigados ‘legalmente’ de pagar a tal assinatura.
Um choque de tecnologia
Autor kobashi :: 19 setembro 2005 - 3:00am tagÉ engraçado como as soluções para alguns problemas são óbvias, mas, por alguma razão misteriosa, nunca são colocadas em prática. Anos se passam, os problemas continuam, as mesmas soluções são repetidamente propostas, ninguém discorda, mas também ninguém faz nada. A vida segue em frente, e a gente começa a acreditar que os obstáculos são realmente intransponíveis, que as soluções nunca existiram de verdade, que eram apenas fruto da fértil imaginação coletiva do país.
O (quase) fim da assinatura telefônica
Autor kobashi :: 8 agosto 2005 - 3:00am tagCom essa história da liminar que decretou o fim da cobrança da assinatura básica nas contas de telefonia fixa e foi cassada em seguida, acabei me lembrando do tempo da Telesp e das estatais de telecomunicações.
Naquela época, quem quisesse ter um telefone em casa tinha que aguardar anos na fila ou pagar alguns milhares de dólares para conseguir uma linha no mercado negro. Ou então partir para o aluguel.
