Os fantasmas do PNBL - Plano Nacional de Banda Larga
Autor kobashi :: 9 março 2010 - 8:57pm tagEste deve ser o primeiro de uma série de posts que resolvi escrever sobre o PNBL, Plano Nacional de Banda Larga que, segundo prometido, será anunciado no início deste mês de abril pelo governo federal.
A primeira vez que eu ouvi falar na (re)criação de uma estatal de banda larga para operar a rede de fibras óticas da Eletrobrás/ Eletronet foi em outubro de 2004, durante "32o Seminário Nacional de Informática Pública". Fui ao evento como colunista do Estadão e ouvi de um representante do governo federal sobre um projeto muito parecido com o PNBL: utilização dos recursos do Fust, rede de fibra ótica ociosa e "parcerias" para a última milha. A diferença era um detalhe pitoreso: a “rede” criada seria como um anel semi-aberto, não teria acesso pleno à internet, só aos domínios .gov.br e .org.br e outros conteúdos que seriam criados especificamente para esta rede "pública". Enfim, uma bobagem. Lembro de ter dito ao meu interlocutor que aquilo não iria sair do papel, que era uma idéia estapafúrdia e que não havia espaço para um movimento (re)estatizante como aquele e muito menos naqueles termos (ser colunista é bem mais divertido que ser repórter). Seis anos se passaram e a idéia volta à cena. E tendo o Presidente Lula como defensor. Será?
Quero deixar claro que sou a favor de “um” Plano Nacional de Banda Larga. Não sei se este que será proposto pelo governo federal, mas algum. Sim, precisamos de um plano. As operadoras de telefonia não ofertarão conexão de qualidade a preços razoáveis a boa parte deste país sem interferência firme do Estado (já não oferecem e tiveram tempo pra isso, que fique claro). Mais: não é razoável deixar para as operadoras a definição da política de banda larga do país. Já aprendemos o potencial estratégico da internet e governo serve pra isso, fazer política pública. Não vou discutir a valorização das ações das empresas envolvidas. Também não vou discutir se houve ou há tráfico de influência. Deixo essas matérias para a CVM (alô, alô, alguém na escuta?), polícia federal e gente melhor informada dos meandros palacianos que eu. Mas tentarei oferecer uma análise do ponto de vista de política pública para inclusão e desenvolvimento social, que é o meu terreno. E dar uns pitacos nos porquês desse plano estar atrasado anos e, mesmo depois do entusiasmo declarado do presidente, ter seu anúncio adiado duas vezes.
Já, já tem mais.
Quero deixar claro que sou a favor de “um” Plano Nacional de Banda Larga. Não sei se este que será proposto pelo governo federal, mas algum. Sim, precisamos de um plano. As operadoras de telefonia não ofertarão conexão de qualidade a preços razoáveis a boa parte deste país sem interferência firme do Estado (já não oferecem e tiveram tempo pra isso, que fique claro). Mais: não é razoável deixar para as operadoras a definição da política de banda larga do país. Já aprendemos o potencial estratégico da internet e governo serve pra isso, fazer política pública. Não vou discutir a valorização das ações das empresas envolvidas. Também não vou discutir se houve ou há tráfico de influência. Deixo essas matérias para a CVM (alô, alô, alguém na escuta?), polícia federal e gente melhor informada dos meandros palacianos que eu. Mas tentarei oferecer uma análise do ponto de vista de política pública para inclusão e desenvolvimento social, que é o meu terreno. E dar uns pitacos nos porquês desse plano estar atrasado anos e, mesmo depois do entusiasmo declarado do presidente, ter seu anúncio adiado duas vezes.
Já, já tem mais.
Telefone social: você não vai ter um
Autor kobashi :: 3 outubro 2005 - 3:00am tagQuando há dois meses escrevi sobre o fim da assinatura telefônica básica, recebi uma enxurrada de e-mails. Graças a uma liminar concedida pela 2ª Vara da Justiça Federal em Brasília, ficamos desobrigados ‘legalmente’ de pagar a tal assinatura.
Um choque de tecnologia
Autor kobashi :: 19 setembro 2005 - 3:00am tagÉ engraçado como as soluções para alguns problemas são óbvias, mas, por alguma razão misteriosa, nunca são colocadas em prática. Anos se passam, os problemas continuam, as mesmas soluções são repetidamente propostas, ninguém discorda, mas também ninguém faz nada. A vida segue em frente, e a gente começa a acreditar que os obstáculos são realmente intransponíveis, que as soluções nunca existiram de verdade, que eram apenas fruto da fértil imaginação coletiva do país.
O (quase) fim da assinatura telefônica
Autor kobashi :: 8 agosto 2005 - 3:00am tagCom essa história da liminar que decretou o fim da cobrança da assinatura básica nas contas de telefonia fixa e foi cassada em seguida, acabei me lembrando do tempo da Telesp e das estatais de telecomunicações.
Naquela época, quem quisesse ter um telefone em casa tinha que aguardar anos na fila ou pagar alguns milhares de dólares para conseguir uma linha no mercado negro. Ou então partir para o aluguel.
Administração pública via Orkut
Autor kobashi :: 25 julho 2005 - 3:00am tagSanta Cruz do Rio Pardo é uma cidade do oeste paulista, perto de Bauru e Ourinhos. Com 42 mil habitantes, vive da agricultura e da indústria de calçados. Não é um pólo turístico, e o evento mais popular na cidade é uma corrida de boiacross. O interessante é que a pequena e pacata Santa Cruz tem uma comunidade no Orkut com 1.654 membros, quase 4% da população. É muita gente.
