Liberdade, igualdade e privacidade

Autor kobashi :: 11 julho 2005 - 3:00am tag
No final da década de 70, o governo da França criou o Projeto Safári, que tinha como objetivo atribuir um número de identificação universal para cada um de seus cidadãos. Esse número passaria a constar de todos os bancos de dados do governo, como os da Receita Federal, Departamento de Trânsito, sistema de saúde, polícia, imigração, etc. Tudo para melhor servir. Pelo menos era isso o que diziam.

Durante alguns anos trabalhei em associação com uma empresa canadense. Nosso principal meio de comunicação era o e-mail. Trocávamos mensagens com freqüência, mandando de um lado para outro documentos e imagens dos projetos em andamento. A internet ainda estava engatinhando, e havia um certo prazer em aproveitá-la ao máximo. Não demorou muito até que eu começasse a receber fotos informais, como a sede da empresa soterrada por uma nevasca ou o happy hour dos funcionários. Daí para o ‘barbecue’ do fim de semana foi um pulo.

No dia 16 de setembro de 1999, o canal holandês Veronica lançou o primeiro Big Brother, reality-show que no ano seguinte iria ganhar o mundo e que, segundo críticos de TV e sociólogos de ocasião, nos ajudaria a entender do que o século XXI seria feito. Cinco anos depois, já dá pra ver que acertou mais quem não fez previsões, ou melhor, quem previu que pouco ou nada iria mudar. Continuamos tão bobos como sempre fomos, aceitando diversão barata e consumindo celebridades sem pudor. Tanto o Big Brother quanto suas versões artísticas ou empregatícias são irrelevantes.