O inimigo errado
Autor kobashi :: 10 agosto 2011 - 3:00am tagUtopia
Ontem fazendo uma limpa no meu iTunes achei uma gravação do Hino da Internacional Socialista: De péééééé, ó vitimas da fooooome, De péééééé, famélicos da teeeeeerra”…(tem mais aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Internacional)
Imediatamente lembrei da noite, no então frequente Pirandello, em que um coral trajado como trabalhadores-revolucionários-de-uma-mina-de-carvão-inglesa invadiu o salão do restaurante, postou-se entre as mesas, subiu nas cadeiras e, no gogó, cantou “A Internacional”. De olhos marejados, o restaurante veio abaixo em aplausos. Era o começo da década de oitenta e ainda sabíamos quem era o inimigo.
Inimigos
Impressiona a dimensão que as disputas internas (no governo e nos partidos) e as disputas entre partidos (aliados ou não) dominam o noticiário. Mesmo quando o assunto é corrupção, a perspectiva que repercute raramente é ética, moral ou criminal. O viés da disputa entre facções, opositores ou aliados é invariavelmente o de maior relevo.
Amigos
Converso com gente de diferentes governos e partidos e percebo que gasta-se mais tempo lidando com as disputas internas que com as externas. As políticas públicas são uma espécie de pressuposto que ninguém acha ser necessário discutir. Mas, não são.
Alento
A cada dia, vejo mais gente cansada com o jeito como as coisas são feitas. É um começo.
Ontem fazendo uma limpa no meu iTunes achei uma gravação do Hino da Internacional Socialista: De péééééé, ó vitimas da fooooome, De péééééé, famélicos da teeeeeerra”…(tem mais aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Internacional)
Imediatamente lembrei da noite, no então frequente Pirandello, em que um coral trajado como trabalhadores-revolucionários-de-uma-mina-de-carvão-inglesa invadiu o salão do restaurante, postou-se entre as mesas, subiu nas cadeiras e, no gogó, cantou “A Internacional”. De olhos marejados, o restaurante veio abaixo em aplausos. Era o começo da década de oitenta e ainda sabíamos quem era o inimigo.
Inimigos
Impressiona a dimensão que as disputas internas (no governo e nos partidos) e as disputas entre partidos (aliados ou não) dominam o noticiário. Mesmo quando o assunto é corrupção, a perspectiva que repercute raramente é ética, moral ou criminal. O viés da disputa entre facções, opositores ou aliados é invariavelmente o de maior relevo.
Amigos
Converso com gente de diferentes governos e partidos e percebo que gasta-se mais tempo lidando com as disputas internas que com as externas. As políticas públicas são uma espécie de pressuposto que ninguém acha ser necessário discutir. Mas, não são.
Alento
A cada dia, vejo mais gente cansada com o jeito como as coisas são feitas. É um começo.
Primeiro post no Observador
Autor kobashi :: 7 agosto 2011 - 3:00am tagDurante muito tempo trabalhei ajudando empresas de TI a se reorganizar. Não raro uma mudança no consumidor, um novo competidor ou tecnologia faz uma empresa perder mercado. Nesses casos, ou a empresa consegue se adaptar ao novo cenário ou começam as decisões “salve-se quem puder”, causa e conseqüência de uma arritimia entre seus diferentes departamentos. A disputa entre os executivos cresce e, ato contínuo, colaboradores tomam as dores dos chefes e inicia-se uma caça às bruxas, com culpados alojados em cada posto de trabalho. A confusão está montada: uma empresa cindida no momento em que a união era mais necessária.
Para minha sorte, e azar das empresas, o problema era geralmente abordado a partir da perspectiva interna. Disputas entre diretores eram tratadas como causa e não como conseqüência dos problemas. Gastavam mais tempo brigando por um espólio de mercado imaginário do que para identificar e criar novas oportunidades. O inimigo, achavam eles, era interno.
Raramente vi empresas saírem desse imbróglio sem uma liderança forte. E não precisava ser de carne e osso. Muitas vezes vi esse papel ser representado por um produto recém saído da engenharia ou por uma empresa concorrente forte o suficiente para ser um “líder por oposição” e assim pacificar as divergências internas. Quando dois ou mais desses fatores se uniam o resultado era matador. Na indústria de tecnologia, exemplos não faltam.
Temos lido muito sobre o declínio da social-democracia e a crise no PSDB. Entendo pouco de política, mas é difícil resistir ao paralelo. Esmiuçar disputas internas é, e sempre foi, perda de tempo. Um partido político deve ser uma alternativa de poder e para assim ser reconhecido interna e externamente depende da clareza de suas idéias.
Em um artigo no Estadão, Gaudencio Torquato escreve que quando o “PSDB se ressente da ausência de discurso, é porque seu tradicional menu foi repartido por outros comensais” e cita o abandono pelos “partidos de esquerda” dos jargões de “exploração capitalista” e do “velho socialismo” além da apropriação de muitas das idéias da social-democracia. Lembra também a evolução e adaptação da social-democracia ao capitalismo europeu com “solda” liberal. Pois é, é isso mesmo. Mas, mesmo reconhecendo o artifício do articulista, a pergunta que coloca “intrigante” é o fato da crise se instalar em um partido “que administra oito Estados, detentores de 50% do PIB do País, com uma população de 64,5 milhões de habitantes e um eleitorado correspondente a 47,5% dos eleitores”. Ora, crises são mais afeitas aos grandes. Partidos sem representação, assim como as pequenas empresas, definham longe dos olhos e das preocupações do público.
Intrigante é entender a demora para que o partido que foi um dos pilares da redemocratização, da estabilidade econômica, do resgate e fortalecimento institucional e que estabeleceu a relação cidadã entre o estado e seu povo, reconheça seu líder legítimo, oponha-se a seu adversário por dever de ofício e estabeleça um discurso em que fique claro o ideário que o coloca como uma alternativa nacional de poder mais moderna, solidária e justa.
Para minha sorte, e azar das empresas, o problema era geralmente abordado a partir da perspectiva interna. Disputas entre diretores eram tratadas como causa e não como conseqüência dos problemas. Gastavam mais tempo brigando por um espólio de mercado imaginário do que para identificar e criar novas oportunidades. O inimigo, achavam eles, era interno.
Raramente vi empresas saírem desse imbróglio sem uma liderança forte. E não precisava ser de carne e osso. Muitas vezes vi esse papel ser representado por um produto recém saído da engenharia ou por uma empresa concorrente forte o suficiente para ser um “líder por oposição” e assim pacificar as divergências internas. Quando dois ou mais desses fatores se uniam o resultado era matador. Na indústria de tecnologia, exemplos não faltam.
Temos lido muito sobre o declínio da social-democracia e a crise no PSDB. Entendo pouco de política, mas é difícil resistir ao paralelo. Esmiuçar disputas internas é, e sempre foi, perda de tempo. Um partido político deve ser uma alternativa de poder e para assim ser reconhecido interna e externamente depende da clareza de suas idéias.
Em um artigo no Estadão, Gaudencio Torquato escreve que quando o “PSDB se ressente da ausência de discurso, é porque seu tradicional menu foi repartido por outros comensais” e cita o abandono pelos “partidos de esquerda” dos jargões de “exploração capitalista” e do “velho socialismo” além da apropriação de muitas das idéias da social-democracia. Lembra também a evolução e adaptação da social-democracia ao capitalismo europeu com “solda” liberal. Pois é, é isso mesmo. Mas, mesmo reconhecendo o artifício do articulista, a pergunta que coloca “intrigante” é o fato da crise se instalar em um partido “que administra oito Estados, detentores de 50% do PIB do País, com uma população de 64,5 milhões de habitantes e um eleitorado correspondente a 47,5% dos eleitores”. Ora, crises são mais afeitas aos grandes. Partidos sem representação, assim como as pequenas empresas, definham longe dos olhos e das preocupações do público.
Intrigante é entender a demora para que o partido que foi um dos pilares da redemocratização, da estabilidade econômica, do resgate e fortalecimento institucional e que estabeleceu a relação cidadã entre o estado e seu povo, reconheça seu líder legítimo, oponha-se a seu adversário por dever de ofício e estabeleça um discurso em que fique claro o ideário que o coloca como uma alternativa nacional de poder mais moderna, solidária e justa.
Para cidadãos e curiosos
Autor kobashi :: 22 setembro 2002 - 3:00am tagPode escrever: o UOL acaba de lançar o site que vai virar mania entre os Internautas curiosos ou que levam cidadania à sério. Vou explicar. Ao se candidatar a algum cargo público, todo político é obrigado a entregar uma declaração de bens à Justiça Eleitoral. Essa relação de bens, com as casas, carros, empresas e outras posses dos candidatos, apesar de ser pública, ficava guardada na mesma Justiça Eleitoral a espera de que algum interessado a pedisse. Pois o UOL resolveu juntar toda essa informação e colocar em um único site, ao alcance de qualquer cidadão.
Já escolheu seu candidato?
Autor kobashi :: 18 agosto 2002 - 3:00am tagQuem acha que as únicas coisas digitais nas próximas eleições presidenciais vão ser as urnas eletrônicas está muito enganado. A campanha política na Internet já está a todo vapor.
